Sim — as algas são um dos alimentos mais eficientes em recursos da Terra. Crescem sem água doce, fertilizantes, ração nem terra agrícola e, enquanto crescem, retiram dióxido de carbono e o excesso de nutrientes da água do mar, de acordo com a NOAA e o WWF. A ressalva honesta: as algas são uma aliada poderosa para oceanos mais saudáveis e para uma alimentação de menor pegada, mas não uma solução isolada para as alterações climáticas.
«Sustentável» é uma das palavras mais gastas no mundo da alimentação. Por isso, deixemos de lado o rótulo vago e vejamos o que o cultivo de algas faz realmente — os factos concretos e verificáveis sobre como crescem e o que devolvem ao mar. Um adianto: a história é mesmo positiva e ainda mais convincente quando se mantém precisa.
O que torna as algas um dos alimentos que menos recursos consomem do planeta?
Quase tudo o que comemos tem por trás uma história sedenta e ávida de terra. As algas não. São fotossíntese na água do mar: aproveitam a luz do sol e os nutrientes já dissolvidos no oceano e transformam-nos em biomassa estaladiça e saborosa.
De acordo com a NOAA, a aquacultura de algas não requer água doce, fertilizantes, ração nem terra cultivável. O World Wildlife Fund di-lo com a mesma clareza: as algas «não requerem fertilizantes, pesticidas, água doce nem terra, e crescem rapidamente» — havendo espécies prontas a colher em apenas seis semanas. Colocando estes factos lado a lado, o quadro é impressionante:
- Zero água doce — sem rega, num mundo em que a agricultura representa cerca de 70 % das captações de água doce.
- Sem fertilizantes nem pesticidas — nada para pulverizar, nada que escorra para os rios.
- Sem ração — ao contrário dos animais de criação, as algas alimentam-se sozinhas de luz solar e água do mar.
- Sem terra agrícola — crescem em cabos suspensos no mar, pelo que não competem com florestas nem campos.
A NOAA observa que os produtores podem até cultivar «na vertical», suspendendo as algas em cabos para «obter grandes colheitas numa área pequena». Se quiser aprofundar a mecânica, explicámo-la no nosso guia sobre como as algas crescem sem uma gota de água doce.
Como é que as algas limpam a água à sua volta?
Eis a parte que surpreende as pessoas: uma exploração de algas pode deixar a sua porção de oceano mais limpa do que a encontrou. Como as algas se alimentam de nutrientes dissolvidos, retiram-nos ativamente da água circundante.
A NOAA explica que as explorações de algas «podem ajudar a reduzir os níveis de nutrientes nas águas próximas» ao absorverem o excesso de azoto e fósforo — os mesmos nutrientes que, em excesso, «provocam florescências de algas que privam o oceano de oxigénio». O WWF descreve as algas cultivadas como «uma floresta submarina que absorve carbono, azoto e fósforo», atuando como «um purificador de água». Em zonas costeiras pressionadas pelo escoamento agrícola e urbano, esta depuração natural de nutrientes é um serviço real e mensurável — não um slogan publicitário.
As algas absorvem dióxido de carbono enquanto crescem?
Sim — e é aqui que a precisão mais importa. Ao crescer, a alga capta dióxido de carbono dissolvido na água do mar através da fotossíntese. A NOAA observa que, com base na biomassa, as algas conseguem retirar da água mais dióxido de carbono do que as ervas marinhas, os mangais e os sapais em conjunto, o que também ajuda a atenuar localmente a acidificação dos oceanos.
Mas absorver carbono enquanto se cresce não é o mesmo que removê-lo da atmosfera para sempre. Um estudo de modelação do National Oceanography Centre do Reino Unido concluiu que apenas cerca de um quarto do carbono da biomassa de algas colhida se traduz em remoção duradoura de carbono, e assinalou compromissos ecológicos a escalas muito grandes. Como afirmou a coautora Chelsey Baker, «o cultivo de macroalgas não deve ser visto como uma solução autónoma para as alterações climáticas».
Assim, a forma cientificamente honesta de o dizer: o cultivo de algas é uma maneira de baixo impacto de produzir alimentos que, além disso, capta CO2 enquanto cresce — um contributo útil para mares mais saudáveis, mais bem entendido como uma peça de um quadro climático muito mais amplo que continua a depender da redução das emissões.
O cultivo de algas faz bem à vida marinha?
Uma exploração de algas bem localizada não é uma zona morta — é mais como uma latada para o mar. A NOAA relata que as explorações de algas «criam habitat de alimentação e refúgio para peixes de importância comercial e uma diversidade de vida marinha», e o WWF confirma que as algas cultivadas criam «novo habitat para uma diversidade de vida marinha».
Os peixes pequenos abrigam-se entre as frondes; isso atrai as espécies que deles se alimentam; e a estrutura acrescenta vida tridimensional a águas de outra forma abertas. A NOAA chegou a apontar o potencial das algas para serem «cultivadas para reduzir metais pesados e outros poluentes costeiros» em áreas degradadas. Como sempre, a localização e a escala importam — os benefícios dependem de as explorações serem colocadas e monitorizadas de forma responsável.
Como se comparam as algas com as culturas terrestres?
Coloque as algas ao lado de uma cultura terrestre típica e o contraste é claro. Um campo de hortícolas precisa de solo, água doce e normalmente fertilizantes, e compete por terra que de outro modo poderia ser floresta ou habitat. As algas não precisam de nenhum destes fatores e crescem em água que, de resto, não estamos a cultivar.
Além disso, são escaláveis. O WWF relata que a produção mundial de algas «cresceu para mais de 35 milhões de toneladas, mais do que duplicando na última década» — prova de que se trata de um sistema alimentar consolidado, e não de uma experiência de nicho. Para um olhar mais próximo sobre uma única espécie e a sua pegada, veja o nosso guia completo sobre o kelp-açucarado e a nossa análise aprofundada sobre por que as algas estão entre as culturas mais sustentáveis do planeta.
O que procurar em algas verdadeiramente sustentáveis?
O verdadeiro teste de uma alegação de sustentabilidade é se é concreta e verificável. Palavras vagas como «amiga do ambiente» não dizem nada; os factos sobre como algo é cultivado dizem tudo. Ao escolher algas, procure:
- Cultivadas, e não apenas colhidas em meio selvagem — as algas cultivadas em cabos aliviam a pressão sobre as populações selvagens e trazem um método de cultivo rastreável.
- Origem indicada — uma costa e uma região de cultivo reais, não um «oceano» genérico.
- Alegações concretas — «cultivadas sem água doce nem fertilizantes» vence sempre um rótulo verde difuso.
É o padrão que aplicamos a nós próprios. Pode explorar a gama de algas cultivadas no mar da KelpEat e ler exatamente como e onde cada uma é cultivada. Primeiro o apetite, depois o oceano — a boa notícia é que raramente tem de escolher entre os dois.
Perguntas frequentes
O cultivo de algas faz mesmo bem ao ambiente?
Na maioria dos casos, sim. As algas são cultivadas sem água doce, fertilizantes, ração nem terra agrícola e, enquanto crescem, absorvem dióxido de carbono, azoto e fósforo da água (NOAA; WWF). As explorações bem localizadas também podem melhorar a qualidade da água local e criar habitat para a vida marinha.
O cultivo de algas usa água doce ou fertilizantes?
Não. A NOAA afirma que a aquacultura de algas não requer água doce, fertilizantes, ração nem terra cultivável. As algas obtêm tudo o que precisam diretamente da luz solar e da água do mar, razão pela qual são um dos alimentos que menos recursos consomem que podemos cultivar.
As algas podem ajudar a combater as alterações climáticas?
As algas absorvem dióxido de carbono da água do mar enquanto crescem, mas os cientistas são claros: não são, por si só, uma solução climática. Um estudo de modelação do National Oceanography Centre concluiu que o carbono removido de forma permanente é muito inferior ao carbono total presente na biomassa colhida, e os investigadores sublinham que o cultivo de algas funciona em conjunto com a redução das emissões, não em vez dela.
O cultivo de algas prejudica o oceano?
As explorações de algas localizadas de forma responsável têm uma pegada reduzida e podem beneficiar as águas costeiras ao absorverem o excesso de nutrientes e ao proporcionarem habitat (NOAA; WWF). Como em qualquer cultivo, a escala e a localização são importantes, pelo que uma localização e uma monitorização cuidadas mantêm os impactos locais sob controlo.
Comer algas é uma escolha sustentável para mim?
Escolher algas cultivadas sem água doce nem terra é uma forma realmente eficiente em recursos de acrescentar sabor e minerais ao prato. Saboreie-as no âmbito de uma alimentação variada e equilibrada: com o iodo natural das algas, mais nem sempre é melhor.
KelpEat — coma de forma mais inteligente, regenere o seu corpo e o planeta. As informações aqui apresentadas têm fins educativos e não constituem aconselhamento médico.